Redes descentralizadas e memória institucional: sobre minhas aulas na UFF


Desde março sou mestranda na Universidade Federal Fluminense (UFF) – minha amada casa – no Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano. De fato, meu projeto de pesquisa foca exatamente na comunicação institucional no fediverso. E, como existe uma curiosidade genuína (e muito necessária) para entender como essas redes descentralizadas funcionam na prática, acabei recebendo convites muito especiais para palestrar em duas turmas da graduação neste mês de maio.

Jornalismo em mídias digitais com Rachel Bertol

O primeiro encontro aconteceu no dia 12, com a turma de Jornalismo em mídias digitais, do curso de Comunicação. Fui a convite da professora Rachel Bertol, minha querida orientadora.

Foi um espaço excelente para debatermos como o jornalismo contemporâneo precisa, urgentemente, pensar na infraestrutura por onde a informação circula. Afinal, não dá para planejar a distribuição de notícias de interesse público sem questionar as regras e os donos das plataformas que entregam esse conteúdo.

Estudos de mídia e apropriações com Adriana Amaral

Algumas semanas depois, no dia 26, retornei à universidade para conversar com a turma de Redes Sociais: Usos e Apropriações, da graduação em Estudos de Mídia. Dessa vez, o convite veio da professora Adriana Amaral, amiga queridíssima e maior referência em estudos de cultura pop e fãs no Brasil.

A dependência das big techs e a perda dos ativos intelectuais

O fio condutor dessas duas aulas foi uma questão que me mobiliza profundamente: o controle da narrativa institucional passa, obrigatoriamente, pelo controle dos seus próprios dados, da sua memória e dos seus ativos intelectuais.

Porém, quando as instituições tornam sua comunicação totalmente dependente das redes sociais mantidas pelas big techs, essa soberania simplesmente não é possível. Elas perdem a gerência sobre a própria história e sobre a forma como se comunicam com a sociedade. O arquivo desaparece, o alcance é estrangulado e o ativo intelectual fica trancado em uma plataforma cujas regras mudam do dia para a noite.

O fediverso: redes feitas por e para seres humanos

Por tudo isso, que bom que existem alternativas possíveis. Que bom que existem redes sociais feitas por e para seres humanos. Foi um prazer gigantesco falar de um dos meus assuntos preferidos – as redes sociais descentralizadas federadas como alternativa viável à hegemonia das big techs – novamente na minha casinha UFF.

Fica aqui o meu “muito obrigada” gigante às turmas pelas perguntas atentas e às professoras pela generosidade do espaço. Amo.