Tron Legacy: bom filme. Bom filme. 2


‘Tron Legacy’ vai te lembrar ‘Matrix’, mas na verdade é ‘Matrix’ que chupinha ‘Tron’, o original (‘Tron Legacy’, por sua vez, chupinha ‘Matrix’ na rave da galera da realidade virtual. Esse povo feito em binário curte uma rave, hein?). ‘Tron Legacy’ vai te lembrar de ‘O quinto elemento’, vai te lembrar de todas as histórias em que uma criatura não-humana faz de tudo para virar gente (e às vezes faz errado), vai fazer você lembrar de ‘Blade Runner’ e, em algum momento, Tron (o personagem) vai parecer inspirado em Bobba Fett.

‘Tron Legacy’ em 3D é entretenimento de primeira. Mas, se você quiser cultuar o filme, usando o argumento de que ‘a filosofia de Tron bla bla bla bla bla’, você pode, a filosofia de porta de banheiro está toda lá: a beleza do caos, o zen, o protesto pacífico da não-reação, o mito de Prometeu, as frases feitas do personagem de Jeff Bridges. É quase um filme de autoajuda – lembre-se sempre de que você, humano, é superior às máquinas. Com um simples botão, você tem o poder de desligar a porra toda. Nada de ser escravo delas ou de deixar elas te matarem, certo?

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Procurando cabelo em ovo

Tentando colocar coisa onde não tem (tipo ‘filosofia em filme da Disney’), quem aí já viu o filme? Levanta a mão! Se você ainda não viu, vou evitar fazer spoiler do racha entre Mac Os e Windows mencionado no filme. Só precisa procurar pela maçã e procurar pelo software de ajuda (saca aquele clipezinho maleta do Office? Pensa nele e procure o programa similar no filme).

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Mas se UMA coisa é importante em ‘Tron Legacy’ é que, enfim, desenvolveram a tecnologia da clonagem e do rejuvenescimento muito bem. Quer dizer, LIBEROU GERAL, pode morrer durante as filmagens que tá tranqs, os produtores não precisam mais se virar pra substituir ninguém. Jeff ‘Clu’ Bridges de vez em quando dá uma escorregada no CG, mas não chega a comprometer a atuação – não mais que a versão carne e osso de Keanu Reeves, vejam vocês.

Se bem que, se a Disney agora quiser fazer ‘Tron Future’ ou coisa assim, passado daqui a 30 anos e tals, pode usar o bom e velho recurso do ator mais jovem / ator mais velho: o garotão Garrett Hedlund pode ser tranquilamente interpretado numa eventual versão mais velha por Daniel Craig.

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Tem o Cillian Murphy não creditado. E tem a participação especial luxuosíssima do Daft Punk, não apenas na trilha sonora, mas em cena. Não tinha ninguém mais perfeito pra fazer essa trilha, né? Música eletrônica com pinta de 8 bits. Taí. ‘Tron Legacy’ vai te lembrar de ‘Interstella 5555’ também. Que, aliás, está todinho no Google vídeo, ve lá que é legal pacas.


2 pensamentos em “Tron Legacy: bom filme. Bom filme.

  • Rach

    Achei bem isso mesmo tudo que você falou. Mas acho que as frases prontas me incomodaram mais… Achei o Jeff Bridges de verdadinha meio de plástico também, será que foi de propósito pra não prejudicar o pobre em CG?