Piada do dia: eu não sou indie!

Mas é sério. Eu nem tenho o “Crooked Rain, Crooked Rain”, do Pavement.

(a claque bate pedindo risos)

Pois, já que eu NÃO SOU INDIE, atenção! NÃO SOU INDIE, tá na hora de corrigir essa falha de caráter com o ‘Crooked Rain, Crooked Rain’ DUPLO que a Matador lança no final de outubro. São 49 faixas de puro Pavement!! Ah, sonho de consumo – quem será que vai lançar a edição brasileira por 30 mangos?

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Café e cigarros

Jim Jarmusch tem aquela coisa meio Woody Allen, Quentin Tarantino, os caras fazem ‘cinema de autor’ – se você gosta de três filmes do cara, difícil não gostar dos outros, eles repetem elementos, criam identidades, ou se apropriam de maneira a tornar seus filmes pessoais e intransferíveis. Confesso, gosto desse tipo de coisa.

Pois. Já tinha visto o curta do Roberto Benigni com o Steven Wright e o clássico ‘Somewhere in California’, com Tom Waits e Iggy Pop. Já sabia da existência de mais um curta da série ‘Coffee & Cigarettes’ (com os gêmeos irmãos do Spike Lee). Eis que Jim Jarmusch resolve filmar mais alguns e lançá-los, todos juntos, como um longa. E como gostei de ‘Down By Law’, ‘Estranhos no paraíso’ e ‘Dead Man’, não teve erro, ‘Coffee & Cigarettes’ me acertou em cheio.

Nos esquetes/curtas, atores e músicos interpretam a si mesmos, mas quase sempre em alguma situação inusitada – Tom Waits é médico, Jack White construiu um tesla coil e disserta com Meg ‘cara de bebê gigante’ White sobre a terra ser um condutor de energia, Alfred Molina descobre que é primo do chuchuzinho do Steve Coogan, RZA (do Wu-Tang Clan) estuda medicina alternativa, Bill Murray virou garçom de lanchonete e por aí vai. Até aí, não estou contando nenhuma novidade, tudo isso tem no site do filme, e a graça é ver a maneira blasé como os personagens encaram esses absurdos; bem, até aí, o filme também não tem nenhuma novidade – três dos filmes já passaram há anos por aqui (mas ei! sempre vale a pena rever filmes bons), Jim Jarmusch é auto-referencial (mas transforma a auto-referência em boa piada), a trilha sonora também não tem nenhuma novidade (mas é excelente, com pelo menos duas versões de ‘Louie Louie’, Richard Berry, Iggy Pop, Stooges, Tom Waits, um Skatalites perdido, um Funkadelic ali e um Mahler pra fechar o bom filme).

Mas ei, quem quer saber de novidades?

Eu, pelo menos, já cansei de novidades faz tempo. Pois se você, amigo leitor, também cansou de novidades que não dizem nada de novo, corra pra ver este filme repetitivo, auto-referencial, com trechos que você, como eu, provavelmente já viu há dez anos atrás num Cine Art UFF desses por aí. Viu, gostou, e estava louco pra ver de novo – coisas boas não têm erro.

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E o Quico?

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