Poderes

Fico imensamente feliz quando as pessoas se preocupam comigo e me atribuem poderes que não tenho – você acha que se eu soubesse manipular pessoas eu estaria aqui ainda? Eu estaria era enchendo o rabo de grana fazendo mágica no Fantástico! Eu me meteria com política! Eu teria todas os continhos de merda que escrevi publicados e elogiadísimos! Eu hein.

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Estou sentindo cheiro de projeção aí – não sou eu que fico reclamando a ausência das pessoas de quem me afastei porque quis ou em quem dei patadas a vida inteira. Não sou eu que viro noites elaborando formas fofas de conseguir atenção e mostrar “olha como eu sou legal”, depois de ignorar meio mundo e destratar a outra metade. Pessoas frias, calculistas e psicopatas premeditam esse tipo de coisa, e ruminam seus planos durante meses, sabia? Pois é. Se quem me chama de psicopata age como um, é hora de rever seus conceitos.

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Outro poder que ainda não consegui é o da invisibilidade – logo, alguém que me conhece/esbarra comigo negar minha presença/ existência no mundo soa tão insano quanto negar a existência de carros na rua.

Maluco 1 – “Não, cara! Carros não existem! Olha só como eu atravesso a rua e eles não me atingem!”

Maluco 2 – “Não, cara! A Lia não existe mais! Morreu pra mim! Ué, se ela morreu, como é que a presença dela me incomoda tanto que eu não consigo ficar em paz no mesmo recinto que ela?”

Ah, é, esqueci que certas pessoas têm o poder da mediunidade.

E eu, graças a deus, tenho o poder de me divertir com pouco. Heh.

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