Disco do dia:

Larry Bright – “Shake That Thing”: sonzeira rock-freak do comecinho dos anos 60. Muito bom. Talvez minha gripe melhore ouvindo isso. Normalmente nenhuma gripe resiste a rock’n’roll. Heh, tem pelo menos 3 músicas falando de ‘mojo’, uma chamada “When I did the Mashed Potatoes with you” e um fundo de oncinha logo na capa. Tentem achar uma música do freak chamada “One Ugly Child”. Saiu no Brasil pela Abril/ Del-Fi. Del-Fi rula, certo?
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Outro disco do dia:

Lost Treasures, coletânea da Del-Fi. Várias musiquinhas obscuras surf/rock/exotica/oldies, tem Yo Yo Hashi, Rollercoasters, Shalimar and his friends (“Voodoo Mash P.I/Pt.II”, muito foda), Bob Ridgley (“The Way Out Mummy”, também muito foda), cara, são 22 faixas totalmente freak. Uma pena que a Abril tenha rescindido o contrato com a Del-Fi, mas com sorte ainda dá pra achar algum dos cds perdidos por aí, e todos costumam ser bem baratinhos. Vale a pena.
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VOU GORFAR!!
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Agora tá tudo doendo… acho que a aula de flamenco vai rodar hoje…
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“Lia, você tá bem?”
CARALHO. Tá todo mundo vendo que eu estou de casaco, tossindo pra caralho, mal humorada, com os olhos inchados e rodeada de sprays de própolis e vitaminas. “Você tá quieta hoje..” Porra, lógico, quer que eu faça que nem a menina aqui do lado que chega com uma voz de criança de 8 anos e fica “coloca uma música pra gente, tia!!”… Porra. Não. Da última vez em que tirei os fones e socializei o som, foi o Pet Sounds. Se você acompanha esse blog, já deve ter aprendido sobre a importância desse disco na história da música.. deve inclusive ter aprendido a curtir o disco e ouvi-lo nas horas certas (ou a qualquer hora). Deve ter se emocionado com as letras e as harmonias vocais e os arranjos e tudo o mais. Deve ter sentido uma certa raivinha, porque Brian Wilson é um gênio da raça. Pois é, eu coloquei o Pet Sounds e nego aqui ficou rindo, falando de corinhos ridículos e tal.. na boa, isso me ofende. Então quando a mocinha de 18 anos que parece que tem 8 pede vinte vezes “coloca alguma coisa pra gente ouvir”, me irrita. Imagina o que nego não vai sacanear a Connie Francis cantando “Malagueña”, ou a Anette Funicello cantando “Blame it on the Bossa Nova”. Não. Música boa exige respeito, e hoje, que eu estou doente, eu também exijo.
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Você certamente já ouviu “Blame it on the Bossa Nova”. Está naquele esquete do “Preto sem Alma” de “As Amazonas na Lua” (1987), um dos melhores filmes do mundo.
