Guerra Civil


Se vivêssemos em um universo com pessoas superpoderosas, com a missão de salvar o mundo, mas que no caminho destruíssem uns bairros (ou um país inteiro), certeza que uma parte da opinião pública iria se voltar contra os tais seres aprimorados – seja por preconceito contra o diferente, seja porque esses seres aprimorados têm poderes que, se mal usados, podem causar grande destruição.

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Esta é a premissa dos primeiros filmes dos X-Men; da fase atual de  “Agentes da S.H.I.E.L.D” (como conter os inumanos? É para protegê-los ou para proteger a sociedade?), e, agora, de “Guerra Civil”: coagidos a assinar um pacto internacional de submissão às regras da ONU, a primeira cisão interna do supergrupo de heróis vem quando uma parte do time vê no acordo uma possibilidade de sobrevivência, e a outra parte não aceita se submeter a governos. E sem spoilers aqui, porque você já sabe – pelo gibi ou pelas críticas e resenhas do filme -, o outro racha acontece por causa de Bucky Barnes: perseguido pela suposta autoria de um atentado, Bucky é acobertado por seu parceiro de longa (ô!) data, Steve Rogers – que não apenas acredita em sua inocência, como sabe que seus crimes anteriores foram, na verdade, cometidos pela programação de seu cérebro pela  H.Y.D.R.A.

Sem spoilers. Não vou contar como nem por que a coisa chega aonde chega. Mas você já viu o trailer e sabe quem está do lado de quem. E eu preciso te dizer que a introdução dos personagens novos é muito bem feita, e que o “resgate” dos Vingadores que estavam espalhados por outros filmes não é de todo ruim.
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Isto posto, dá até pra traçar um inevitável paralelo entre “Guerra Civil” e “Batman vs Superman”, lançados na mesma temporada: os dois personagens que levam a franquia nas costas (embora eu tenha a impressão de que a Mulher Maravilha deveria levar a Liga da Justiça, mas ninguém havia feito um filme com ela até então) brigando até quase que morte um com o outro; um trauma de perda dos pais e a possibilidade de perder alguém muito querido durante as mais de duas horas de filme; e mais não posso dizer (se você ainda não viu o filme), mas mesmo o Lex Luthor encontra seu paralelo em “Guerra Civil” – com a diferença brutal que, no filme da Marvel, sua motivação é tão bem construída dentro da trama que até comove – diferente do vilãozinho histriônico e playboyzinho de “BvsS”, que ainda não disse a que veio.

A grande diferença é que “Guerra Civil” tem a densidade de uma história séria, mas sem a pretensão de ser um filme denso e cheio de camadas dramáticas – por isso, tudo bem o Chris Evans não ser um puta ator, ele convence no papel e tá tudo bem; e os alívios cômicos que a gente já sabia que existiriam (ou você não sabia que o Homem Aranha do gibi é piadista?). Os diálogos não são cafonas, os conflitos parecem bem amarrados e tudo está no filme por um motivo. Certeza que aquele papo do Visão sobre “aquela coisa na minha testa” não foi despropositado e já lembra o espectador que tem muito mais universo Marvel de onde esse veio (tem gema do infinito, tem Thanos, tem Guardiões da Galáxia, vai ter Guerra Infinita). Parabéns aos envolvidos.

São duas 2h30 de entretenimento ininterrupto, com um ritmo constante de ação. Vale o ingresso. Eles dão aos fãs exatamente o que os fãs querem, incluindo as cenas pós-créditos e o cameo do Stan Lee.
Nossa. Valeria até se não fosse meia entrada (não estudo mais, mas sou cliente da Vivo, que dá desconto no Cinemark).
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Observações aleatórias:
– 50 são os novos 30: Marisa Tomei, gatérrima, já tem idade para ser a tia coroa de um moleque de 15 anos, sim. Até ele estagiar no Clarim Diário, ela faz 60. E vamos combinar que aos 60, mulherada tá fazendo Yoga, academia e andando de bicicleta por aí. Deixa a tia May ser bonitona, gente.
– Há uma morte de personagem querida. Triste. Quase chorei (uma das minhas personagens favoritas). Mas tudo bem, tudo bem, é o ciclo da vida mesmo.
– Você conhece Daniel Brühl, o Zemo (ainda sem o título de barão), do excelente “Adeus Lenin”; e o hobbit Martin Freeman não me era estranho – até lembrar que em 2005, a terra foi demolida para dar lugar a uma supervia intergalática, começando por sua casa.
– Tire os poderes da Feiticeira Escarlate e você vai ver uma gótica dançando colhendo uvas e caçando borboletas.
– Quicksilver não morreu em Sokovia: ele tá vivão na Fox, como vimos no trailer de “X-Men – Apocalipse”.