Lições de empreendedorismo do Kiss


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Ganhei esse livro de aniversário do marido. Para além da história da banda, é muito interessante entender como foi que o Kiss virou o que é: eles sempre encararam a banda como um negócio. Desde sempre, os objetivos já eram claros, o escopo do negócio era claro e, por mais mais ou menos que os caras fossem no começo, eles tinham um diferencial, sobressaíram num mercado saturado e souberam crescer e estabelecer parcerias. Sério. “Nothing to lose – a formação do Kiss” pode ser um super livro de negócios e empreendedorismo, se você quiser.

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Para ler ouvindo o disco “Kiss Alive”

Estabelecendo parcerias

Paul Stanley não foi com a cara e nem curtiu muito as composições de Gene Simmons no começo. Mas ele tinha um projeto, e Gene era O CARA. Mau-caratismo, más referências, isso pode ser impeditivo para uma parceria. Mas impressão é algo pessoal, intransferível e muits vezes está errada. Se Paul não tivesse insistido em Gene, não teríamos o Kiss.

Q

uer se dar bem num negócio? Escolha seus parceiros de trabalho com base no talento e em como eles podem agregar ao seu negócio. Nada adianta manter alguém sem talento só porque é legal, e muito menos não estabelecer uma parceria interessante porque não foi com a cara de alguém Peter Criss e Ace Frehley eram caras difíceis, perdiam a linha e hoje não estão mais na equipe. Entenda de que tipo de parceiro você precisa e invista na parceria certa.

Invista em seus talentos e ganhe algum dinheiro com eles antes de investir no seu sonho

Os caras foram backing vocals de projetos alheios e músicos de estúdio, antes da banda estourar. Isso quer dizer duas coisas:

1 – Que ganhavam dinheiro de dia para investir nos seus próprios projetos à noite e no fim de semana;

2 – e que o melhor emprego não é necessariamente o que você quer fazer da sua vida, mas aquele em que você pode praticar o que faz bem e entender o seu próprio negócio de outro ângulo. Por exemplo, você quer ser fotógrafo e trabalha como assistente de laboratório de fotografia, ou de edição de imagens; quer ser ilustrador e trabalha como arte-finalista ou numa editora (com acesso ao negócio de edição). Você pode não estar fazendo o que sempre sonhou, mas conhece gente na sua área e ganha experiência em algo que você certamente pode ter que fazer alguma hora.

Testes e pesquisas de mercado são fundamentais

É óbvio que o Kiss não começou como nós o conhecemos. A banda tinha outro nome e um orçamento muito mais apertado. Mas os caras não botaram o bloco na rua sem muito ensaio e testes, audições privadas para amigos. Lembre-se de estudar bastante e pegar opiniões para lançar um produto minimamente bom.

O ótimo é inimigo do bom
E saiba bem qual é o seu negócio

E lembre-se de não esperar a perfeição, senão a coisa não sai. Ponha na rua quando estiver bom, apenas, mas deixe que o tempo e a experiência se encarreguem de lapidar seu projeto. Nenhum dos músicos da banda era excelente (Peter Criss era até meio ruinzinho), mas todos tinham a noção clara de que estavam no negócio do entretenimento – que não se resume apenas à música. Seja qual for seu negócio, dê ao seu público-alvo o que ele deseja.

Tenha um diferencial, crie uma narrativa 

Em 1973, Alice Cooper, David Bowie e os New York Dolls usavam maquiagem. Mais umas dezenas de bandas faziam um som inspirado nos Beatles. Se você quiser sobressair num mercado saturado, precisa criar um diferencial, uma identidade de marca e uma narrativa para sua história.

Não desanime com as críticas negativas

Eles tinham certeza do sucesso. Durante anos, a banda não tocou nas rádios – mas os shows ao vivo enchiam cada vez mais. Isso é prova suficiente da qualidade do produto. Não desanime e ache seu nicho. Uma hora, acontece.

Cobre.

Mesmo tocando num clube underground em Amytiville, os caras não saíam no prejuízo – recebiam uma merreca, mas o suficiente, ao menos, para cobrir gastos com ensaio, figurinos, com o espetáculo que estavam dando para o público. O lucro, no começo, não existia – mas o preju também não. Se seu trabalho é bom, sempre vai ter alguém disposto a pagar por ele. Você pode até estar naquela fase do negócio ‘querendo se tornar conhecido no meio’. Tudo bem. Mas veja lá quanto você gasta para trabalhar pros outros, e cobre, nem que seja o suficiente pra não pagar para trabalhar.

 

E foi assim que o Kiss virou o Kiss. Muito trabalho, ensaio, testes, alguma criatividade para sobressair, disposição, certeza de qual é o seu negócio. Você pode ser um empreendedor do ramo criativo ou um empreendedor mais convencional, mas uma coisa é certa: funcionou pra eles e pode funcionar pra você.