‘O Mágico’, de Sylvain Chomet (“L’illusionniste” – 2010) – nos cinemas!


‘O mágico’ é mais uma excelente animação de Sylvain Chomet, velho conhecido aqui de Lounge graças ao longa ‘As trigêmeas de Belleville’ (alô, tradutor: ‘Triplettes’ são trigêmeas, e não bicicletas!) e ao curta espetacular ‘A velha e os pombos’, que eu tenho certeza que já foi mencionado aqui no blog, mas como pode ter sido em um dos endereços que já tiveram problemas técnicos com a hospedagem (Gardenal.org em 2004 ou no saudoso elevador.org), não dá para linkar para o post que escrevi.

http://www.youtube.com/watch?v=n_P9Iz7Idek

Desta vez, temos até uma mocinha bonitinha – pois as animações de Chomet têm uns personagens feios bragarai, e isso é justamente o que faz com que seus filmes sejam geniais: chega de princesinha, né, minha gente? A gente quer ver velha portuguesa com bigode, quer ver dingo, quer ver irlandês bêbado. E em ‘O Ilusionista’ tem tudo isso numa história linda, mais uma vez semi-muda (o que também faz com que seus filmes sejam geniais, já que todo mundo já faz animação com referência pop, piadinhas verbais e personagens espertinhos), com roteiro de ninguém menos do que Jacques ‘Mon oncle’ Tati.

http://www.youtube.com/watch?v=O1CooNkDu7o

Em ‘O mágico’, um… ta-raaa! ilusionista parte de Paris para tentar a vida na Escócia, em fins dos anos 50 (1958, mais precisamente, ano de estreia de ‘Meu tio’ nos cinemas). Não é nada fácil, considerando que já existia uma cultura pop forte na época (bandas de rock, cinema, consumo) e a simplicidade dos números circenses já não lotava mais os teatros (ainda não existia o fenômeno do Cirque du Soleil, que reinventou o circo). Pra complicar a situação, o ilusionista encontra pelo caminho uma mocinha que resolve o acompanhar, como uma filha ou aprendiz e, na adolescência, deseja fazer parte de um mundo adulto e se comportar como uma mulher, mas também acredita na mágica de seu tutor.

O que vemos no cinema (sim, vale o ingresso) é uma sucessão de belíssimas imagens em que você, espectador, deve prestar muita atenção, pois nenhum dos muitos detalhes visuais, como cartazes, objetos de cena e pessoas, deve passar despercebido. O filme é lindo e a impressão que dá é a de que Silvain Chomet é um excelente observador, e consegue passar com precisão todos os detalhes da época e do local pra gente (embora não tivesse nem nascido em 1958 ainda). ‘O ilusionista’ é um grande caderno de viagem no tempo e no espaço, fartamente ilustrado e perfeitamente animado, costurado por uma história linda, simples e interessante e, diferente das outras animações que amamos, é quase realista: sem príncipes, princesas, super-heróis e, sobretudo… sem magia.

Vão ver.

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